Convidar amigo para visitar esta pgina

PlataformaSuperior Plataforma Superior - trigenium
Newsletter

 Slides em Ingls Twitter

HOME  -  Capacidade de fiscalizao e delegar  tarefas  -  Carater  -  Gesto do tempo  -  Obstinao  - Vantagens do otimismo "optimismo"  -  Relacionamento com chefias

 

Carter
Exemplo extrado do livro "O Prncipe" de Maquiavel.

" ... muito conveniente a um prncipe dar exemplos quanto ao seu governo; quando algum tenha realizado qualquer coisa de extraordinrio, de bom ou de mal na vida civil, para premi-lo ou puni-lo o prncipe deve agir de modo tal que d margem a largos comentrios. E, sobretudo, deve um prncipe trabalhar no sentido de, em cada ao, conquistar fama de grande homem. ainda estimado um prncipe quando sabe ser verdadeiro amigo e verdadeiro inimigo, isto , quando sem qualquer preocupao, age abertamente em favor de algum ou contra um terceiro. Esse partido ser sempre mais til do que o conservar-se neutro, porque se dois poderosos vizinhos teus se puserem a brigar, ou so de qualidade que, vencendo um deles, tenhas que temer o vencedor, ou no. Em qualquer caso ser-te- sempre mais til descobrir-te e fazer guerra de fato, porque no primeiro caso, se no te descobrires, ser sempre presa de quem vencer, com grande prazer daquele que foi vencido, e no tens razo nem coisa alguma em tua defesa, nem quem te acolha.

Quem vence no quer amigos suspeitos e que no ajudem nas adversidades; quem perde no te aceitar porque no quiseste, de armas na mo, correr a mesma sorte. Foi Antoco para a Grcia a chamado dos etlios para expulsar os romanos. Antoco enviou embaixadores aos aqueus, que eram aliados dos romanos, para concit-los a se manterem neutros; por outro lado, os romanos tratavam de persuadi-los para que tomassem armas contra aquele. Esta matria veio discutir-se no conclio dos aqueus, onde o delegado de Antoco tratava de fazer com que se mantivessem neutros, ao que o delegado dos romanos respondeu: "Quanto opinio de que no deveis intervir na guerra, nada mais nocivo aos vossos prprios interesses, pois sem compensao e ingloriamente sereis presa do vencedor." E acontecer sempre que aquele que no teu amigo pedir-te- que sejas neutro e aquele que teu amigo pedir que tomes de armas abertamente. E os prncipes irresolutos, para se afastarem destes perigos, seguem, as mais das vezes, aquela linha neutra, e quase sempre so mal sucedidos. Mas quando corajosamente tomas partido franco por um dos contendores, se aquele com quem te ligaste vencer, ainda que seja poderoso e que fiques sua merc", ter ele obrigaes para contigo e compelido a ter amizade por ti; e os homens no so nunca to maus que queiram oprimir a quem devem ser gratos. Ademais, as vitrias no so nunca to completas que o vencedor no tenha que levar em conta outras consideraes, principalmente de justia.

Mas, se aquele a quem ajudas perder, sers socorrido por ele quando puder, e, nesse caso, ficars ligado a uma fortuna que pode ressurgir. No segundo caso, quando os combatentes so tais que no tenhas de te arrecear da vitria de qualquer, a tua aliana com um deles tanto mais prudente quanto assim provocars a runa de um com o auxlio de quem o deveria salvar, se fosse sbio, e vencendo tu, o teu aliado ficar tua discrio e impossvel que no vena com a tua ajuda.

Note-se agora que um prncipe deve ter o cuidado de no fazer aliana com um que seja mais poderoso, seno quando a necessidade o compelir, como se exps acima, pois que, vencendo, ficar prisioneiro do aliado; e os prncipes devem evitar o mais que possam a situao de estar merc de outrem. Os venezianos aliaram-se Frana contra o duque de Milo, e podiam deixar de efetuar tal unio; e desse fato resultou a runa deles. Mas quando no se pode deixar de fazer aliana, como aconteceu com os florentinos quando o papa e a Espanha foram assaltar a Lombardia pelas armas, ento o prncipe deve aderir, pelas razes acima. No pense nunca que nenhum governo pode tomar decises absolutamente certas; pense antes em ter que tom-las sempre incertas, pois isto est na ordem das coisas, que nunca deixa, quando se procura evitar algum inconveniente, de incorrer em outro. A prudncia est justamente em saber conhecer a natureza dos inconvenientes e adotar o menos prejudicial como sendo bom.

Deve ainda um prncipe mostrar-se amante das virtudes e honrar os que se revelam grandes numa arte qualquer. Alm disso, deve animar os seus cidados a exercer livremente as suas atividades, no comrcio, na agricultura e em qualquer outro terreno, de modo que o agricultor no deixe de enriquecer as suas propriedades pelo temor de que lhe sejam arrebatadas e o comerciante no deixe de desenvolver o seu negcio por medo de impostos. Pelo contrrio, deve instituir prmios para os que quiserem realizar tais coisas para todos os que, por qualquer maneira, pensarem em ampliar a sua cidade ou o seu Estado. Alm disso, deve, nas pocas propcias do ano, proporcionar ao povo festas e espetculos. E como todas as cidades esto divididas em artes ou corporaes de ofcio, deve ocupar-se muito destas, indo ao seu encontro algumas vezes, dar provas de afabilidade e munificncia, mantendo sempre integral, contudo, a majestade da sua dignidade, a qual no deve faltar em nada."

 


 
Top


Politica de privacidade